Cordel do Mestre Irineu - Zerivan de Oliveira

17/01/2013 14:10

I
Peço licença ao divino
Pra uma história contar
Atentem bem nas palavras
Que agora eu vou narrar
É uma história bonita
E aquele que acredita
Muito vai se emocionar
II
Tudo que eu vou falar
Eu falo com humildade
Por isso falo sem medo
De ter contrariedade
Com  Deus no meu coração
Eu sei que a minha mão
Não escreve falsidade
III
Só falarei a verdade
É essa a minha missão
Pedindo bênção a Jesus
Santa Maria e São João
Para firmar minha fé
Peço força a São José
E ao meu São Sebastião
IV
É essa a inspiração
Que trago nesta história
Para falar de um homem
E da sua trajetória
De como foi que viveu
De como foi que morreu
Alcançando a santa glória
V
Seu nome em minha memória
Com muito amor se encerra
E foi ele um ser de luz
Que habitou nesta terra
Sempre ao bem foi devotado
Seu nome escrevo de lado
Raimundo Irineu Serra
VI
Nasceu num tempo de guerra
Revolta e revolução
Quando o Brasil ainda estava
Saindo da escravidão
Nasceu preto, nasceu pobre
Sem ouro, prata nem cobre
No estado do Maranhão
VII
Em um distante rincão
Do Nordeste do Brasil
Lá Em São Vicente Férrer
Um grande portal se abriu
Pra receber Irineu
No dia que ele nasceu
A terra toda floriu
VIII
Irineu nasceu em mil
Oitocentos e noventa
Filho de Sancho Martinho
Como a história apresenta
A mãe Joana D’Ascenção
Tinha muita devoção
A Deus era sempre atenta
IX
Nasceu a criança benta
Num dia de muita luz
Dia quinze de dezembro
O mês que nasceu Jesus
Raimundo Irineu Serra
Veio ser aqui na terra
A estrela que nos conduz
X
Até agora eu compus
A história do nascimento
Mas vamos para adiante
Que vou dar o seguimento
Irineu aos quinze anos
Começou a fazer planos
E a falar em casamento
XI
Com grande contentamento
Irineu se enamorou
Fernanda o nome da dama
Dele também se engraçou
Foi então que aconteceu
Numa festança Irineu
Numa confusão entrou
XII
Alguém então reclamou
Dessa sua alteração
E um tio de Irineu
Para dar-lhe uma lição
Bateu de chicote nele
Ferindo o orgulho dele
Magoando o coração
XIII
Aí nessa ocasião
Que ele foi castigado
Não reagiu ao rebenque
Como era o esperado
Creio que naquela hora
Só pensava em ir embora
Pois ficou envergonhado
XIV
No cais havia passado
E viu grande movimento
Era um navio fazendo
Do povo o alistamento
Para ir para Belém
Ele pensou: vou também
Ver qual é o seguimento
XV
Ele havia ouvido atento
Tudo que o tio falou
Depois despediu-se dele
E para casa voltou
Porém já no outro dia
A Sempre Virgem Maria
Uma surpresa preparou
XVI
Por tudo que se passou
Seu rumo estava traçado
Irineu estava indo
Para o ponto destinado
Sua vida mudaria
E a sempre Virgem Maria
Ia seguindo ao seu lado
XVII
Depois de ter viajado
De São Luís a Belém
Ele seguiu pra Manaus
Mas não ficou lá também
Para o Acre ele partiu
Cortou seringa e seguiu
Para um ponto mais além
XVIII
Tudo na vida só vem
Na hora certa e devida
Irineu de Rio Branco
Programou outra partida
Cruzou então a fronteira
E da terra brasileira
Fez a sua despedida
XIX
Saiu da pátria querida
Foi a Bolívia primeiro
Depois seguiu ao Peru
Sendo um grande pioneiro
Sentou praça em pelotão
Fazendo a demarcação
Do limite brasileiro
XX
Voltou a ser seringueiro
A antiga profissão
Conheceu Antônio Costa
E André Costa seu irmão
Eles sempre se encontravam
Pois os irmãos trabalhavam
A bordo de um regatão
XXI
Numa certa ocasião
Antônio Costa convidou
O jovem Irineu Serra
E pra ele assim falou
Vamos tomar Yagé
Lhe explicou o que é
Mas Irineu recusou
XXII
Porém depois aceitou
E disse para o amigo
Vou tomar essa bebida
Para ver se tem perigo
Se for ruim eu não quero
Se for boa sou sincero
Levo pro Brasil comigo
XXIII
Irineu e seu amigo
Foram então encontrar
Com um pajé poderoso
Que sabia preparar
A tal falada bebida
Que fazia nesta vida  
Qualquer pessoa enricar
XXIV
Encontraram no lugar
O pajé da reunião
Porém quase não existe
Nada sobre essa sessão
Deu ayahuasca aos dois
E disse logo depois
Podem chamar pelo cão
XXV
Irineu de antemão
Revirou a sua mente
Como era bom cristão
Achou tudo diferente
Quanto mais nome dizia
Tudo que Irineu via
Era cruz na sua frente
XXVI
Pensou imediatamente
Essa história tá errada
O diabo foge da cruz
Por ser ela consagrada
Então naquele momento
A história do sacramento
Ia ser modificada
XVII
O pajé não falou nada
Mas quis Irineu testar
Botou o chá numa cuia
E deu para ele olhar
Perguntou: o que tu vê?
Irineu disse: você
É quem eu vejo no chá
XVIII
Irineu pôde provar
Que era um ser diferente
O pajé percebeu isso
E disse muito contente
Você fez por merecer
Vou lhe ensinar a fazer
Este chá que cura a gente
XXIX
Irineu dali pra frente
Sua vida foi mudando
Voltou para Brasiléia
Sempre, sempre trabalhando
Aprendendo a conhecer
Essas plantas de poder
Ele foi se graduando
XXX
Um dia ele consagrando
O chá num pequeno abrigo
Antônio Costa na sala
Disse Irineu meu amigo
Tem uma moça aqui fora
E disse que nesta hora
Ela quer falar contigo
XXXI
Ela quer falar comigo?
Irineu lhe perguntou
É sim, disse Antônio Costa
Disse que te acompanhou
Desde lá do Maranhão
E agora uma missão  
Pra você ela arranjou
XXXII
A moça também falou
Que na próxima sessão
Vem te entregar uma coisa
Pra você ser guardião
Uma semana depois
De novo estavam os dois
Fazendo a concentração
XXXIII
Aí numa miração
A moça lhe apareceu
E perguntou ao rapaz
Você sabe quem sou eu?
Uma Deusa: ele falou
Ela então lhe afirmou
Você bem me conheceu
XXXIV
Na visão de Irineu
A moça estava sentada
Em cima da Lua Nova
Com uma águia pousada
Disse: o meu nome é Clara
E eu estou aqui para
Lhe dar uma luz sagrada
XXXV
A moça estava parada
Com uma laranja na mão
Entregou para Irineu
Com a recomendação
Esta laranja é o mundo
E este segredo profundo
Eu deixo em teu coração
XXXVI
Vou te dar uma missão
Que vai mudar sua vida
Mas eu quero uma prova
Que vai ser bem recebida
Vou te dar uma dieta
E quero que esta meta
Seja muito bem cumprida
XXXVII
Uma semana seguida
Você deve se internar
Lá no meio da floresta
Para poder meditar
Não pode ver uma moça
Só de macaxera insossa
Você vai se alimentar
XXXVIII
Irineu bebeu o chá
No mato se internando
Só de macaxera insossa
Ficou se alimentando
Com pouco já estava vendo
As árvores se mexendo
Em bichos se transformando
XXXIX
Ali estava mirando
Um grande conhecimento
Percebendo no astral
Um enorme movimento
Toda a natureza em festa
E a Rainha da Floresta
Lhe dando o ensinamento
XL
Vibrava aquele momento
Numa perfeita harmonia
Irineu cumpriu o prazo
Com muita sabedoria
E quando chegou ao fim
Pôde adentrar no Jardim
Da Sempre Virgem Maria
XLI
Entrou na Soberania
Conquistando seu direito
Provando nesse momento
O seu enorme conceito
Veio a Terra pra curar
Sendo um grande avatar
Por Nosso Senhor eleito
XLII
Com amor dento do peito
Ele tudo recebeu
E depois daquele dia
Outro mundo conheceu
Passando dali pra frente
A replantar a semente
Que a Virgem Mãe lhe deu
XLIII
Então o Mestre Irineu
Como ficou conhecido
Na cidade de Brasiléia
Estando estabelecido
Fundou o C. R. F
Antonio Costa era o chefe
Está tudo esclarecido  
XLIV
Ainda foi perseguido
Por causa do preconceito
Mas não encontraram nele
Nada pra botar defeito
Pois o Mestre era um modelo
Vivia com muito zelo
Como um cidadão direito
XLV
Dando o exemplo perfeito
Era muito respeitado
Com dona Emília Amorim
Nesse tempo era casado
Teve um filho com ela
Depois separou-se dela
Deixando o filho ao seu lado
XLVI
Coloco o nome de lado
Para um relato correto
Valcírio Genésio Silva
É o seu nome completo
Com muito tempo depois
Deus de novo uniu os dois
Debaixo do mesmo teto
XLVII
Seguindo o caminho reto
Novamente se mudou
Foi para Vila Ivonete
E um trabalho começou
Fundando a Santa Doutrina
Que para todos ensina
O que Jesus ensinou
XLVIII
Mestre Irineu Batizou
Aquela santa bebida
Com o nome de Santo Daime
E foi seguindo na lida
Lá do alto do astral
Com seu poder divinal
Nossa Mãe dava guarida
XLIX
Foi seguindo sua vida
Sempre querendo aprender
E na década de trinta
Começou a receber
Uns cantos muito bonitos
Já fundamentando os mitos
Que a Doutrina iria ter
L
Começaram a aparecer
Da Doutrina os precursores
Alguns vinham a sua casa
Pelos seus dons curadores
E nessa estrada terrestre
Andando junto do Mestre
Viravam seus seguidores
LI
Iam plantando as flores
Alguns recebendo hino
Cada hinário recebido
Transmitindo seu ensino
Mostrando para a nação
Que aquela religião
Possuía um estudo fino
LII
Ia cumprindo o destino
Que a Rainha lhe entregou
E no ano de trinta e sete  
novamente se casou
com uma moça formosa
Raimunda Marques Feitosa
Mestre Irineu desposou
LIII
Muito se modificou
No formato da Doutrina
Pois antes quase só era
A presença masculina
Agora até o bailado
Foi ficando equilibrado
Com a presença feminina
LIV
Uma turma pequenina
Com o Mestre se reunia
Primeiro o irmão Germano
Veio pra sua companhia
Vou citar mais alguns nomes
João Pereira, Antônio Gomes
Pouco a pouco a casa enchia
LV
A Doutrina se expandia
Outros iam se chegando
Chegou o José das Neves
A família acompanhando
Veio Francisco Granjeiro
Também o senhor Ribeiro
Foram se aproximando
LVI
Tudo ia se encaixando
Naquela santa missão
Cada um se envolvendo  
Dando a contribuição
Mulheres como Cecília
Também a dona Percília
Com Maria Damião
LVII
Depois Antônio Roldão
Chico Martins, Daniel
O senhor Raimundo Gomes
Mais seu Leôncio e Tetéu
Luís Mendes mais seu Terto  
João Pedro sempre por perto
João Serra e seu Manuel
LVIII
Como consta no papel
O Mestre então decidiu
Mudar de Vila Ivonete
E prontamente saiu
Confiando em sua luz
Pro Alto da Santa Cruz
Com seu povo ele seguiu
LVIX
Com a irmandade partiu
Para esse novo lugar
Bem perto de Rio Branco
Conseguindo se instalar
Foi em quarenta e cinco
Que com amor e afinco
Conseguiu tudo arranjar
LX
Logo passaram a chamar
O lugar de Alto Santo
E uma bonita igreja
Ergueram naquele canto
E a Virgem da Conceição
Lhe deu a santa benção
Lhe cobrindo com seu manto
LXI
Nesse tempo do Alto Santo
O Mestre foi recebendo
Mais flores no seu hinário
Cada uma esclarecendo
Como é que é para ser
Como devemos fazer
Para melhor ir vivendo
LXII
Seu hinário só se vendo
Para poder perceber
O ensinamento sério
Que vem nos esclarecer
Seu nome é “O CRUZEIRO”
E quem bailar ele inteiro
Irá me compreender
LXIII
É tamanho o seu poder
O seu encanto e beleza
Como também sua força
E a sua delicadeza
Quando eu o conheci
Na mesma hora senti
Em mim a sua pureza
LXIV
Dentro desta fortaleza
Mestre Irineu foi seguindo
O ensinamento sagrado  
Para todos expandindo
Recebendo quem chegava
Pouco a pouco ele estava
A Doutrina construindo
LXV
O Mestre ia prosseguindo
Colhendo irmão por irmão
De vez em quando passando
Uma grande provação
Uma que lhe aconteceu
Que muito lhe abateu
Foi a sua separação
LXVI
Era a terceira união
Que estava terminando
Isso em cinqüenta e quatro
Foi tudo se consumando
Dona Raimunda partiu
O seu caminho seguiu
Sozinho o Mestre deixando
LXVII
O tempo foi se passando
Com pouco normalizou
Porém dois anos depois
Sua vida se alterou
No ano cinqüenta e seis
Mestre Irineu outra vez
Novamente se casou
LXVIII
A moça que desposou
Chamava-se Peregrina
E foi uma grande força
Para a ala feminina
Continua em seu lugar
E é um grande pilar
Para esta Santa Doutrina
LXIX
Era quase uma menina
Na data do casamento
Neta de Antônio Gomes
Peregrina Nascimento
Com o Mestre permaneceu
Até quando ele morreu
E fez o seu passamento
LXX
Depois do seu casamento
Mais um ano se passou
E logo em cinqüenta e sete
Mestre Irineu se ausentou
Pois tinha muita vontade  
De retornar a cidade
Que nasceu e se criou
LXXI
O Mestre então embarcou
Para Manaus de avião
Foi de lá para Belém
Pegou outra embarcação
Raimundo Irineu Serra
Retornou a sua terra
Foi rever o Maranhão
LXXII
Encontrou primo e irmão
Gente que há tempos não via
Também encontrou parentes
Que mesmo não conhecia
De volta da sua terra
José, João e Daniel Serra
Voltam em sua companhia
LXXIII
Na volta o Mestre faria
Mudanças no ritual
Conforme recebimento  
Lá do alto do astral
Tudo estabeleceu
Da forma que recebeu
Da Rainha Universal
LXXIV
Corria tudo normal
Era um tempo alvissareiro
O Mestre continuava
Cuidando do seu terreiro
Na década de sessenta
Ao Mestre se apresenta
Um homem calmo e ordeiro
LXXV
Padrinho Wilson Carneiro
Veio o filho acompanhar
Raimundo Nonato Sousa
Na colônia veio morar
Isso em sessenta e dois
Trouxe a família depois
Pra no Daime trabalhar
LXXVI
Outro que veio procurar
E no Daime se encontrou
Sebastião Mota Melo
No Alto Santo chegou
Conheceu toda a verdade
Quando da enfermidade
O Santo Daime o curou
LXXVII
Sebastião retornou
E a família foi trazendo
A esposa Rita Gregório
Com ele ao lado vivendo
E pouco a pouco a Doutrina
Como quis a Mãe divina
Todos foram conhecendo
LXXVIII
Os filhos desenvolvendo
No mundo espiritual
Aprendendo com o Mestre
Subindo de grau em grau
Andando sempre adiante  
Levando a Doutrina avante
Seguindo o exemplo igual
LXXIX
Quem com ordem do astral  
Nosso Mestre conheceu
Encostado aquele homem
Quem com ele conviveu
Teve a oportunidade
E a grande felicidade
De ser um discípulo seu
LXXX
Muita gente apareceu
Vinda com Sebastião
Iam a pé da Cinco Mil
Para a Concentração
Mesmo na linha de frente
Toda a família Corrente
Demonstrava devoção
LXXXI
Teve mais uma porção
Que nesse tempo chegou
Manoel Paulo e Bernardo
Seu Paulinho se encostou
Todas pessoas de bem
Seu Manoel Nunes também
Ao Mestre se apresentou
LXXXII
O Daime então aflorou
Musicalmente cresceu
O belo hinário do Mestre
Também se desenvolveu
Com onze anos parado
Foi o Cruzeiro aumentado
Com os hinos que recebeu
LXXXIII
Nos hinos Mestre Irineu
Dava o balanço geral
Falava em sua partida
Para o mundo espiritual
E a todo mundo pedia
Respeito a Soberania
E ao Reino Celestial
LXXXIV
Com seu amor divinal
Apresentou seus ensinos
Na forma de um belo hinário
De cento e trinta e dois hinos
Mostrando a humanidade
Que o amor e a caridade
São atributos divinos
LXXXV
Deixou os estudos finos
Pra quem quiser conhecer
Com ensinamentos certos
Pra todo mundo aprender
Ergueu na terra seu templo
Sua vida foi um exemplo
Pra quem melhor quer viver
LXXXVI
Já perto dele morrer
Disse a todos eu achei
A cura para os meus males
Que tanto, tanto eu busquei
É muito fácil de achar
Existe em todo lugar
Com certeza eu encontrei
LXXXVII
Agora que disso eu sei
Todos podem se acalmar
Pois daqui para diante
As coisas vão melhorar
Pelo poder da Natura
Eu encontrei minha cura
Ninguém precisa chorar
LXXXVIII
Foi tudo de admirar
Quase ninguém entendeu
Logo em setenta e um
O inevitável se deu
Tranqüilo, sem um barulho
Bem no dia seis de julho
O Santo Mestre morreu
LXXXIX
Partiu o Mestre Irineu
Pela Virgem abençoado
A cura que ele dizia
Que havia encontrado
Raimundo Irineu Serra
Encontrou na própria terra
Que sempre tinha pisado
XC
Foi atender ao chamado
De Deus Pai Onipotente
Que chama seus escolhidos
Pra viver eternamente
Partiu para a Santa Glória
Porém em nossa memória
Vive permanentemente
XCI
Quando plantou a semente
Desta Sagrada Doutrina
Mestre Irineu adentrou
No seio da Mãe Divina
Colocou tudo nos trilhos
Deixando para seus filhos
Esta Santa Disciplina
XCII
Sua história nos ensina
Várias lições de valor
Confirmadas na Doutrina
Do Império do Beija-Flor
Deixando pra todo irmão
A grande e maior lição
Que é viver com todo amor
XCIII
O caminho do Salvador
O Mestre sempre seguiu
E por seu merecimento
Para ele o céu se abriu
Foi cumprir o seu destino
Junto do poder divino
Como o bom Deus decidiu
XCIV
Seu povo todo sentiu
Quando ele fez a passagem
E fez naquele momento
A sua última viagem
Mudou-se para o astral
Porém tornou-se imortal
Por sua linda mensagem
XCV
Quem quiser ver sua imagem
Pode seu nome chamar
Consagrando o Santo  Daime
Ele vai se apresentar
Pois com ordem de Jesus
Qualquer um que peça luz
Vai com certeza encontrar
XCVI
Quem um dia for bailar
O hinário d’”O CRUZEIRO”
Verá que tudo que eu disse
É sério e é verdadeiro
Tudo que o Mestre falou
Hoje já se espalhou
Por este Brasil inteiro
XCVII
Também para o estrangeiro
O Daime foi transportado
Seguindo o mesmo caminho
Por Mestre Irineu traçado
O caminho do Senhor
Como quis o Salvador
Está sendo replantado
XCVIII
Quero deixar registrado
O meu agradecimento
Eu andei na escuridão
Passei muito sofrimento
Até que um dia cheguei
Nesta casa e encontrei
Do Mestre o ensinamento
XCIX
Hoje eu fico bem atento
Para não mais tropeçar
O Mestre deu o exemplo
Pra cada um procurar
Não falar do seu irmão
Com amor e com união
Para com ele encontrar
C
Zerivan vai terminar
Esta pequena homenagem
Retratei Mestre Irineu
Inspirado em sua imagem
Vou terminar meu cordel  
Agradeço a Deus do Céu  
No final desta mensagem


Este texto foi originalmente publicado em Oliveira, Zerivan de. Raimundo Irineu Serra
- Mestre Império Juramidam. Tupynamquim Editora, Fortaleza, 2006