Perfume

24/07/2014 10:51

Fatores limitantes:

Cultivei com exagero o hábito de pedir conselhos a meus pais e a meus amigos na maior parte de minha vida, mas nunca me senti satisfeita com isso. Tenho uma situação financeira tranqüila e uma família sadia que muito me ama.  Moro em casa extremamente agradável e compartilho amizades queridas. Mesmo assim, sinto-me muito infeliz. Sou vacilante e me deixo conduzir com facilidade, pois receio que minhas opiniões e decisões sejam incorretas. Ouvi dizer que a felicidade não é deste mundo. Devo atribuir meu desencanto de viver a essa afirmativa? Tenho que conformar-me passivamente?

 

Expandindo nossos horizontes:

 

A maioria das pessoas que se proclamam religiosas costumam afirmar categoricamente que a felicidade encontra-se apenas em Deus. Esquecem-se, porém, de que o Todo-Poderoso habita em tudo, inclusive nelas mesmas.

Então, por que não começar a procurá-la em sua própria intimidade? Não importa se as pessoas acreditem ou não em Deus. O fato de não o amarem ou de terem conceitos diferentes a respeito dEle, em nada altera a sagrada realidade em nós.

O Pai Supremo responde a cada um de acordo com sua necessidade.

Encontra-se a felicidade em forma de Toque Divino em toda parte. Na leitura de uma poesia, num buquê de miosótis, na visita amorosa a um lar de idosos, no aroma exótico dos jasmins, na colheita de conchinhas na praia, nos gestos de ternura. São muitos os momentos em que se pode ser venturoso.

Felicidade é sentimento íntimo. Os contextos exteriores nos quais você vive apenas o ajudam a entrar em contato com esse sentimento, já existente em sua intimidade; quer dizer, eles interpretam sua essencialidade divina.

Confie em sua sabedoria interior; só você pode decidir o que é certo para si mesmo.

O homem criou a linguagem para poder comunicar-se com os outros adequadamente. Descobriu que algumas expressões lhe permitiam pensar e agir com maior precisão e organizar melhor suas emoções. Planejou palavras que o ajudassem intelectualmente a cumprir certas funções e a administrar seu meio ambiente.

De início estereotipou na palavra felicidade o conjunto de satisfações dos sentidos, por acreditar apenas na existência do mundo das impressões exteriores em que se movimentava. Começou a agir como se todas as pessoas tivessem essa mesma visão estática e avaliassem a felicidade por esse mesmo estreito prisma.

É verdade que a maioria dos seres pensa de modo semelhante acerca da palavra felicidade. Usam-na constantemente para denominar um estado de completo bem-estar, contentamento e satisfação. No entanto, apesar da designação comum, ela se apresenta sob os mais variados aspectos, maneiras, situações, fatos e pessoas.

Muitos acreditam que, satisfazendo suas carências afetivas, profissionais ou sexuais, se tornarão plenamente felizes. Alegria não é o resultado de tudo aquilo que possuímos ou desejamos.

Felicidade ou infelicidade não resultam das circunstâncias, mas dependem de sua força de vontade e determinação. Se você aceitar isso como verdade, assumindo a responsabilidade pela sua própria felicidade, se libertará da exigência dos requisitos da sociedade superficial e da falsa importância que o mundo externo lhe impõe. A partir daí, poderá encontrá-la com mais clareza e discernimento.

Quanto mais crer em sua “voz do coração”, tanto mais nitidamente ela falará com você.

Olhando para dentro de si mesmo e analisando sua essência divina, que nunca falha nem se altera, você encontrará realmente a verdadeira alegria de viver.

As criaturas de consciência desperta compartilham e repartem seu contentamento. Aprenderam a amar os outros, porque amam a si mesmas.

Desfrutam o tempo de forma singular: seus gestos de benevolência se estendem tanto a seus semelhantes como a si próprias.

As violetas, desde os tempos mais antigos, foram celebrizadas nas poesias, fábulas e narrativas. Shakespeare sempre as citava com admiração. São muito estimadas por seu aroma delicado.

Fazendo alusão às violetas e à sua fragrância, poderíamos dizer, em sinonímia quase que perfeita, que a felicidade é o perfume de Deus.

Lourdes Catherine

Trecho-  Horizontes da Mente